quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Temer extingue reserva natural na Amazônia maior que a Suíça e a Dinamarca

Por Miguel do Rosário

Tem uma coisas curiosas. Durante anos, a imprensa brasileira deu visibilidade a protestos contra a construção da usina de Belo Monte, que ocupou 500 quilômetros quadrados na Amazônia. Trata-se de uma usina controlada pelo poder público e que é fundamental para a segurança energética do país.

Não sou contra essa visibilidade. Acho que a imprensa estava correta, embora eu sempre tenha defendido a construção da usina de Belo Monte, porque entendia que ela tinha importância estratégica para o país.

O que eu acho curioso é que houve tanto barulho por causa de 500 quilômetros quadrados, para se fazer uma usina tão importante, e agora não se fala nada quando Michel Temer assina um decreto extinguindo uma reserva natural de quase 50 mil quilômetros quadrados, uma das maiores do mundo, inteiramente ocupada por matas virgens e tribos indígenas.


A Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), cuja extinção foi anunciada por decreto publicado hoje no Diário Oficial da União, tem exatamente 47 mil quilômetros quadrados.

Para se ter uma ideia da grandeza, a Suíça tem 41 mil quilômetros quadrados. A Dinamarca, 43 mil quilômetros…

É uma área maior que a de muitos estados brasileiros.

Segundo estudos oficiais, embora desatualizados, a região possui uma das maiores reservas de ouro do planeta, além titânio, fosfato, etc.

Tudo isso ocorre ao mesmo tempo em que o governo reduz drasticamente a fiscalização. Ou seja, a área será entregue a mineradores estrangeiras, que poderão saquear nossas riquezas, destruir nossas florestas, matar ou ferir nossos índios, sem que ninguém fique sabendo.

FHC trocou a Vale, que pertencia à União e era uma das maiores mineradoras do mundo, por moedas podres, numa operação financiada pelo BNDES (para o neoliberalismo, BNDES só serve para financiar programas de “desestatização”), e agora Temer entrega a interesses estrangeiros as reservas intocadas de ouro, titânio, fosfato.

Tudo isso feito por um governo ilegítimo, nascido de um golpe. Tudo feito sem debate, sem transparência.

E o Sergio Moro ainda vem a público defender a doação empresarial em campanhas políticas. Para a Lava Jato, construir refinarias é crime. Entregar nossas reservas naturais a mineradores internacionais, aí pode.

O Ministério Público e a Polícia Federal continuam distraindo a opinião pública com a novela da Lava Jato, que já vai terminando o seu quarto ano de destruição da indústria brasileira.

Janot estava ontem fazendo festinha numa fugitiva da justiça da Venezuela, estuprando a Constituição brasileira, que fala expressamente em não-intervenção e autodeterminação dos povos, enquanto Temer publicava decreto vendendo a Amazônia às mineradores multinacionais.

Os milhares de brasileiros vítimas do acidente em Mariana, causados por crimes (que nunca foram punidos) da Samarco, sabem muito bem como essas mineradores agem.

Abaixo, a íntegra do decreto de Michel Temer. Ele é assinado também, sintomaticamente, por mais duas autoridades:

1) Fernando Bezerra Coelho Filho, ministro de Minas e Energia, um garoto de 33 anos cujo único mérito é ser filho de Fernando Bezerra, político proeminente de Pernambuco.

2) O general Sergio Westphalen Etchegoyen, ministro-chefe de Segurança Institucional do Brasil, apoiador da ditadura militar e chefe da Abin.

***
Decreto 9142/17 | Decreto nº 9.142, de 22 de agosto de 2017

Extingue a Reserva Nacional de Cobre e seus associados, constituída pelo Decreto nº 89.404, de 24 de fevereiro de 1984, localizada nos Estados do Pará e do Amapá. Ver tópico (1 documento)
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, DECRETA:

Art. 1º Fica extinta a Reserva Nacional de Cobre e seus associados, constituída pelo Decretos nº 89.404, de 24 de fevereiro de 1984, localizada nos Estados do Pará e do Amapá. Ver tópico
Art. 2º A extinção de que trata o art. 1º não afasta a aplicação de legislação específica sobre proteção da vegetação nativa, unidades de conservação da natureza, terras indígenas e áreas em faixa de fronteira.

Art. 3º Ficam revogados:
I – o Decreto nº 89.404, de 24 de fevereiro de 1984;
II – o Decreto nº 92.107, de 10 de dezembro de 1985.
Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 22 de agosto de 2017; 196º da Independência e 129º da República.
MICHEL TEMER.
Fernando Coelho Filho.
Sergio Westphalen Etchegoyen.

II Seminário de Geografia e Clima

O BIOCLIMA vem divulgar a realização do II Seminário de Geografia e Clima, que irá ocorrer nos dias 28 e 29 de Agosto de 2017, na sala de seminários do Departamento de Geografia, localizado no prédio da Geo-História no campus da UFV - Universidade Federal de Viçosa. 


Veja a programação:


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Professora é agredida por aluno dentro de colégio em Santa Catarina

Marcia Friggi publicou fotos com o rosto ensanguentado no Facebook. Agressões aconteceram dentro da diretoria de uma escola estadual em Indaial (SC)

Márcia Friggi, professora da rede pública de ensino que foi agredida dentro da escola em Santa Catarina (Facebook/Reprodução).
Uma professora foi agredida por um aluno de 15 anos na manhã desta segunda-feira, dentro de um colégio estadual na cidade de Indaial (SC), a 170 quilômetros de Florianópolis. Marcia Friggi, que dá aulas de Língua Portuguesa e Literatura na Escola Prefeito Germano Brandes Júnior, publicou fotos de seu rosto ensanguentado no Facebook após as agressões e se disse “dilacerada”. A delegacia de Polícia Civil da cidade confirmou o caso e informou que um boletim de ocorrência foi registrado.

Segundo Marcia, o agressor estava com o livro sobre as pernas durante a aula e, depois de um pedido dela para que o colocasse sobre a carteira, ele respondeu: “eu coloco o livro onde eu bem quiser”. Ao ouvir da professora que “as coisas não são assim”, o jovem teria dito “vai se f…” e, então, sido expulso da sala de aula. “Ele levantou para sair, mas no caminho jogou o livro na minha cabeça. Não me feriu, mas poderia”, conta a professora.

Já na direção do colégio, segundo o relato de Marcia Friggi, ela informou o acontecido e foi acusada pelo jovem de mentir. A professora afirma que as agressões começaram quando ela tentou argumentar, dizendo que “a sala toda viu”. “Não deu tempo para mais nada. Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede”, diz Marcia.

“Estou dilacerada por ter sido agredida fisicamente. Estou dilacera por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacerada por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem. Estou dilacerada porque dilacera porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros. Estamos, há anos, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos. A sociedade nos desamparou”, escreveu ela na postagem, que já foi compartilhada 112.620 vezes até as 20h desta segunda-feira e teve outros 2.384 comentários de apoio à professora.


Fonte: Veja.

Moradores do Norte e Nordeste poderão ver eclipse parcial do sol

Está previsto para esta segunda-feira (21) um dos eventos mais fascinantes da natureza, o eclipse solar total, que ocorre quando as órbitas do sol e da lua se cruzam e o satélite passa entre o sol e a Terra. Quando a lua cobre o sol, bloqueia os raios solares e faz uma sombra na Terra.
Desta vez, a faixa de totalidade do fenômeno, ou seja, a faixa de terra que ficará na penumbra, cruza os Estados Unidos. Serão 2 minutos e 40 segundo de completa escuridão para quem estiver entre Salem, no Oregon, e a cidade de Charleston, na Carolina do Sul.

Observadores que estiverem fora dessa região, a 3 mil quilômetros acima ou abaixo dessa faixa, poderão observar um eclipse solar parcial, em que a lua cobre parte do disco do Sol. No Brasil, os moradores das regiões Norte e Nordeste poderão avistar o fenômeno entre 12h46 e 18h04, horário de Brasília. No extremo norte do país, a previsão é que a escuridão chegue a 50%.

A astrônoma Josina Nascimento, pesquisadora do Observatório Nacional, responsável pelos cálculos e edição do anuário da instituição que traz as fases da lua e previsão de eventos astronômicos, explicou que apesar do senso comum dizer que são raros, os eclipses são um evento comum. Segundo ela, o fato de a faixa de totalidade dos eclipses ser muito estreita, com cerca de 270 quilômetros, causa essa falsa impressão.

“A cada período entre 18 e 22 meses, temos um eclipse solar, seja ele total, parcial ou anular. Quando é total, que é o mais raro, têm-se essa pequena faixa de totalidade, portanto muitas partes do mundo passam muitas décadas sem ver um eclipse total. Não é um fenômeno raro na Terra, mas sim em cada local onde as pessoas estão”, esclareceu.

Josina Nascimento disse que os eclipses do sol e da lua sempre ocorrem um próximo do outro. “Basta observar uma lista de previsão de eclipses para verificar que sempre que acontece um eclipse da lua, por exemplo, logo depois tem um do sol, ou vice versa. Se houver um eclipse em uma lua cheia, na lua nova seguinte haverá um eclipse do sol. Se a órbita da lua em torno da Terra não fosse inclinada, teríamos esse alinhamento todo mês. Na lua nova, um eclipse do sol, e na lua cheia, um eclipse da lua. Por ser inclinada, o alinhamento não acontece sempre.”

Ela informou que o próximo eclipse total que terá faixa de observação no Brasil está previsto para 2041. “No dia 2 de julho de 2019, vai ser no sul da América do Sul e a expectativa é que muitas pessoas se desloquem para a faixa de observação. É interessante porque você tem turismo, tem eventos culturais e científicos, é muito legal”, disse a pesquisadora.

A Nasa vai transmitir o eclipse solar, seguindo a faixa de escuridão dos Estados Unidos, a partir das 13h, pelo link https://www.nasa.gov/eclipselive.

Teoria da Relatividade foi provada em eclipse no Brasil

Durante a conversa com a Agência Brasil, Josina Nascimento contou que desde antes do homem começar a explorar o Universo em missões espaciais, os cientistas aproveitam os eclipses para responder a questões científicas e de engenharia. A cor muito escura da lua durante o eclipse, por exemplo, pode ser usada para calibrar as imagens de raios-X, por registrar o estado do "sinal zero". Os eclipses também são uma ótima oportunidade para observar a fotosfera, uma camada interna do Sol. Segundo Josina, há uma série de projetos que aproveitam a chance para fazer observações especiais.

A pesquisadora contou que a observação mais especial e relevante feita no Brasil, com envolvimento do Observatório Nacional, ocorreu em um eclipse total em 1919, em Sobral, no Ceará, quando a Teoria da Relatividade, do cientista Albert Einstein, foi finalmente comprovada. Josina contou que vieram pesquisadores de vários lugares do mundo para fazer a observação. Depois de algumas tentativas frustradas de provar a teoria em outros locais anteriormente, o eclipse daquele ano no Brasil ofereceu uma boa visibilidade e permitiu que os cálculos de Einstein fossem comprovados.

* Matéria atualizada às 7h03 para acréscimo de informações.
Maiana Diniz - Repórter da Agência Brasil.
Edição: Carolina Pimentel.

domingo, 20 de agosto de 2017

Por que ser contra o pagamento do ensino universitário público?

Por Roberto Kraenkel

O pagamento de mensalidades pelo ensino universitário público no Brasil sempre vem à tona quando as universidades enfrentam problemas financeiros. A pergunta retórica que se ouve amiúde é : por que não cobrar de quem pode pagar? Pois bem, aqui vão algumas razões.

O que está em jogo quando se fala da cobrança pelo ensino público é muito mais do que uma questão financeira, que - de toda forma - é sempre momentânea. Trata-se, antes de mais nada, de aumentar o campo de influência dos valores (neo)liberais. Explico-me: ao tornar as universidades pagas, faz-se com que nelas se introduza uma nova escala de valores, uma escala monetária. Assim, com o passar do tempo certamente as melhores universidades quererão cobrar mais caro que outras – pois na ética neoliberal isto é absolutamente natural. Haverá diferença de preço entre cursos. E, internamente, haverá valorização de atividades que atraiam mais dinheiro para a universidade. Docentes mais populares ou que atraiam mais verbas tornam-se mais prestigiados. Estudantes transformam-se em clientes. Valores passam, portanto, a ser monetizados. O conteúdo ideológico é óbvio, levando a uma naturalização do conceito de que o valor em dinheiro é um fundamento ético adequado para todo tipo de decisões, não só universitárias.

Está, portanto, explícito o caráter ideológico do embate ao redor da questão do pagamento do ensino. Mas a discussão sobre o tema não para aí.

Para um liberal, a situação acima parecerá normal, desejável até. Trata-se aí de questão de fé, ou de definição de valores morais. Pouco há, portanto, a debater. A quem não concorda com esta visão, caberá combate-la dentro do jogo de forças na sociedade.

Mais importante, parece ser a questão que se origina da constatação de que, em países como os Estados Unidos e o Reino Unido, o ensino universitário é pago. É verdade que algumas das melhores universidades do mundo são pagas - mas não todas(há universidades de ponta na Europa continental que são totalmente gratuitas). E antes que surja alguém argumentando que as universidades no topo dos rankings mundiais são pagas, cabe notar que tais rankings foram desenhados para elas e não são instrumentos sérios de avaliação. Mas, de todo modo, sim, há boas universidades pagas. Não há portanto como se dizer que o pagamento acabará com as universidades, mas sim que as tornará mais elitistas e organizadas ao redor de princípios de mercado. As exceções de praxe são universidade de longa tradição. Mas, cabe mesmo comparar nossas universidades com estas exceções?

É muito mais cabível comparar nossas melhores universidades com universidades médias do mundo desenvolvido. E o que se constata nelas? Constata-se que as universidades que adotam o modelo mercantil são extremamente problemáticas. Abrem-se e fecham-se cursos por demanda, interferindo assim na própria autonomia intelectual que o corpo docente delas deveria gozar. Traçam-se planos estratégicos que inibem a criatividade que está na raiz do saber científico e intelectual. Criam-se metas de captação de verbas pelos docentes. E criam-se estudantes devedores vida afora.

No contexto brasileiro, os problemas apontados acima são mais agudos. É impossível não se espantar com o enorme grau de desigualdade social no Brasil. O ensino público gratuito para camadas de mais baixa renda é uma das bases de combate a estes desiquilíbrios históricos. É dar a estas camadas o acesso a um instrumental intelectual que as grande maioria das universidades privadas baratas está muito longe de oferecer. É dar-lhes o grão do saber.

E desenha-se aqui o confronto de classes impresso na questão do pagamento do ensino universitário. Os pobres brasileiros não tem como paga-las. Em silêncio, certa classe média regozija-se de não ter que conviver com eles em pé de igualdade. A ideia de que tal situação poderia ser evitada com um programa de bolsas é ingênua. Tomada de novos valores, a universidade funcionará com os valores de eficiência financeira. Algumas poucas bolsas serão dadas para fins de gerenciamento de imagem. 

Não é de se estranhar que, no desastroso cenário político brasileiro, esta questão volte a ser debatida. Quem a levanta, e quem defende o pagamento do ensino público universitário, são setores da sociedade que obviamente poderiam pagar por ele. Defendem apenas sua posição social.

Fonte: Jornal GGN.