sábado, 27 de maio de 2017

Três novas regiões metropolitanas são criadas no Brasil

No segundo semestre do ano passado, foram criadas três novas regiões metropolitanas no país: a de Ribeirão Preto (SP), a de Sobral (CE) e a rondoniense, em torno da capital, Porto Velho. A informação consta da listagem semestral dos municípios brasileiros que compõem as regiões metropolitanas do país (RMs), divulgada no dia 23 de maio de 2017, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o IBGE, as regiões metropolitanas e aglomerações urbanas são recortes instituídos por lei complementar estadual, de acordo com a determinação da Constituição Federal de 1988, “visando integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum”. É competência dos estados a definição das regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, nos termos do Artigo 25, Parágrafo 3° da Constituição Federal.

A capital do estado de Rondônia, Porto Velho, tornou-se região metropolitana com Candeias do Jamari.
Wilson Dias/Agência Brasil/Arquivo.

Pelas informações relativas a 31 de dezembro do ano passado, a Região Metropolitana de Ribeirão Preto, abrange 34 municípios e foi instituída pela Lei Complementar nº 1.290, de 6 de julho de 2016. A Região Metropolitana de Sobral foi criada pela Lei Complementar nº 168, de 27 de dezembro de 2016, e tem 18 municípios. A RM rondoniense inclui, além da capital Porto Velho, o município de Candeias do Jamari, conforme Lei nº 3.654, de 09 de novembro de 2015.

Com a nova revisão anunciada pelo IBGE, o país passou a contar com 69 regiões metropolitanas, sendo a Paraíba o estado com maior número de regiões metropolitanas (12), seguida por Santa Catarina (9) e Alagoas (8).

A nova revisão do IBGE não traz mudanças nas listagens de municípios das regiões integradas de desenvolvimento (RIDEs), que são regiões metropolitanas que se situam em mais de uma unidade federativa. A competência de criar RIDEs é da União, dada pelo Artigo 43, Parágrafo 1° da Constituição Federal. Constam no registro as RIDEs de Petrolina/Juazeiro, a da Grande Teresina e a do Distrito Federal e Entorno.
Edição: Lidia Neves

Papa Francisco presenteia Trump com encíclica sobre Meio Ambiente

Suzana Camargo, do Conexão Planeta

O começo do encontro foi tenso, como poucos sorrisos, algo muito atípico para o Papa Francisco, sempre muito simpático, o que gerou inclusive, muitos comentários e piadas nas redes sociais por causa da cara fechada do Sumo Pontífice (confira a imagem polêmica ao final deste post).

Esta era a primeira vez que o Chefe da Igreja Católica, um ativista engajado pelo meio ambiente e na luta contra as mudanças climáticas, encontrava o presidente eleito Donald Trump, que diz não acreditar em aquecimento global, já desfez algumas das principais medidas de seu antecessor Barack Obama para proteger o planeta e, ameaçou por diversas vezes, tirar os Estados Unidos do Acordo do Clima de Paris.

No ano passado, Francisco declarou que “um homem que pensa que construir muros, no lugar de pontes, não é um cristão”, em um clara referência à promessa de Trump de construir uma barreira entre México e Estados Unidos.

Durante a audiência no Vaticano, é sempre praxe que aconteça uma troca de presentes entre o Papa e os Chefes de Estado. Pois, Francisco, em um gesto nada sutil, decidiu dar a Donald Trump duas de suas encíclicas, carta escritas pelo líder da Igreja Católica para os bispos, que abordam questões relativas à doutrina e também, assuntos importantes para a sociedade.

As encíclicas que foram entregues ao presidente americano falam sobre Família e Meio Ambiente. Uma cutucada muito bem dada em Trump!

Em seus discursos públicos, Papa Francisco destaca com frequência a importância da conservação e proteção do planeta. Em junho de 2015, em sua encíclica sobre o meio ambiente, ele denunciou, de forma veemente, a exploração dos pobres e o desperdício dos recursos naturais.

Alguns meses depois, anunciou que o dia 1º de setembro seria o Dia Mundial de Oração para o Cuidado da Criação, mais uma oportunidade para que todos possam refletir sobre a defesa ambiental e contra as alterações do clima, provocadas pelas atividades humanas (leia mais neste outro post).

Agora é esperar que o “recado” bem dado de Francisco ilumine a mente do presidente americano. Caso ele não esteja convencido ainda de que, sim, as mudanças climáticas são causadas pela ação do homem, Trump deveria olhar para a economia que, a cada dia, fornece mais provas concretas de como, tecnologias limpas e energias renováveis são a melhor – e mais barata – aposta para o futuro.

Já em outubro de 2015, noticiamos aqui, como o custo da energia eólica já tinha se equiparado a dos combustíveis fósseis. Naquele mesmo ano, foi registrado um recorde global no invesimento às matrizes renováveis: as fontes de energia limpa somaram US$286 bilhões, um valor duas vezes maior do investido na geração de gás e carvão no mesmo período.

Papa Francisco com a cara fechada ao lado de Trump

Fonte: Conexão Planeta. 
Link original da matéria:

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Guia de plantas da regeneração natural do Cerrado e da Mata Atlântica

AUTORES
Paolo Alessandro Rodrigues Sartorelli, Eduardo Malta Campos Filho

Este guia traz uma compilação de espécies típicas do Cerrado e da Mata Atlântica, biomas hoje largamente ocupados pelas atividades do agronegócio. O objetivo é possibilitar aos diversos atores envolvidos com restauração florestal um olhar mais atento à regeneração natural e seus benefícios.

Levando-se em conta o Código Florestal, essa técnica é aceita e pode ser implementada tanto para restaurar Reserva Legal como Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Para realizar essa coletânea de espécies, foi feito um extenso trabalho de pesquisa, que envolveu revisão bibliográfica, consulta a pesquisadores e práticos em restauração ecológica no Brasil, fotos e observações de campo e pesquisa por material online, como artigos, teses, sites e vídeos.

Entre os livros utilizados, é fundamental citar “Árvores Brasileiras”, obra pioneira que inspirou os autores, de autoria do engenheiro agrônomo Harri Lorenzi, mestre em Botânica. Outra fonte de dados essencial são os cinco volumes da coleção Espécies Arbóreas Brasileiras, literatura que faz uma profunda e detalhada abordagem de centenas de espécies florestais brasileiras, de autoria do pesquisador Paulo Ernani Ramalho Carvalho, doutor em Ciências Florestais. Para os nomes científicos, seguimos a base Reflora e o site Flora do Brasil 2020, em que uma equipe de botânicos taxonomistas mantém os nomes das plantas atualizados, seguindo regras internacionalmente aceitas.

Regeneração natural define-se como “conjunto de processos pelos quais plantas se estabelecem em área a ser restaurada ou em restauração, sem que tenham sido introduzidas deliberadamente por ação humana”. Nesse sentido, este guia vem para fortalecer a percepção de que, com a regeneração natural, muitas vezes, é possível restaurar com a força da natureza.

Um caminho que fizemos para a construção desta publicação foi buscar em manuais de erva daninhas quais espécies incomodavam os produtores rurais. Assim, vimos que há plantas que se regeneram naturalmente em áreas agrícolas e essas podem ajudar na restauração, reduzindo custos com mudas e sementes.

Para o Cerrado, buscamos no artigo de Ratter et al (2003) as plantas mais frequentes desse bioma brasileiro, além de contar com a nossa experiência de campo. Para a Mata Atlântica, percorremos diversos artigos, dissertações e teses em busca das espécies mais abundantes da regeneração natural.

É claro, prezado leitor, que deixamos uma gama de espécies de fora e ao ler este guia podem surgir em sua mente diversas delas. Mas, além de indicar espécies da regeneração, este guia tem o objetivo de despertar seu olhar para a vegetação que cresce espontaneamente na sua cidade, fazenda ou região. Com isso, você terá uma visão mais ampla das possibilidades de se restaurar uma área de floresta ou cerrado.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

CPRM libera gratuitamente dados brutos e processados (XYZ) de aerolevantamentos geofísicos

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) dá um passo importante para atrair novos investimentos e fomentar o setor mineral brasileiro, desta vez, liberando gratuitamente os dados brutos e processados, em formato XYZ, dos levantamentos aerogeofísicos de seu amplo acervo. Essa ação, definida como um dos pilares principais pela Diretoria Executiva da empresa para fomentar o setor mineral brasileiro, constitui um programa contínuo e prioritário de disponibilização de dados e informações geocientíficas à sociedade.


“Estão sendo disponibilizados no GeoSGB, Banco de Dados da CPRM, inicialmente os dados brutos e processados (XYZ) de 95 projetos aerogeofísicos, da série 1.000 e seus respectivos relatórios técnicos de aquisição. No decorrer desta ano os demais projetos serão disponibilizados para download, explica o diretor-presidente da CPRM Eduardo Ledsham, destacando ainda que a iniciativa universaliza o acesso aos dados aerogeofísicos existentes no Brasil. “ É a reposta da empresa, a uma demanda antiga da comunidade científica e do setor mineral.” Ledsham informa ainda que cerca de 95% do embasamento cristalino do Brasil já estão mapeados com modernos métodos e equipamentos de ponta. 

O chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica (DISEGE) da CPRM, Luiz Gustavo Rodrigues Pinto, avisa que inicialmente, os downloads dos dados dos projetos aerogeofísicos estarão disponível no GeoSGB durante a semana entre as 18:00h e 07:00h. Luiz Gustavo avalia que o acesso da sociedade a esses dados é um importante passo para o desenvolvimento, tanto da área privada, quanto da área científica do país. 

Os primeiros levantamentos aerogeofísicos executados no Brasil, desde a década de 1950, foram patrocinados por instituições federais do governo brasileiro, tais como Conselho Nacional do Petróleo (CNP), o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobrás). A atuação da CPRM se iniciou em 1971, quando assumiu o papel de órgão executor de projetos aerogeofísicos sistemáticos (magnetometria e gamaespectrometria), a princípio por meio de convênios com o DNPM que procuravam atender politicas governamentais coordenadas pelo Ministério de Minas e Energia de promover o recobrimento aerogeofísico dos terrenos pré-cambrianos do escudo brasileiro.

Entre 1971 e 2001 foram executados 48 projetos aerogeofísicos em diversas regiões do país, sendo que, a maioria dos projetos aerogeofísicos tiveram características de levantamentos regionais, ou seja, com espaçamento das linhas de voo variando de 2.000 a 1.000 m e altura de voo de 150 m. Nesse período foi recoberta uma área de cerca de 2.413.323 km².

A partir de 2004, iniciou-se uma nova fase nos aerolevantamentos geofísicos, onde todos os projetos de magnetometria e gamaespectrometria foram realizados com espaçamento de 500 m entre as linhas de voo, altura de voo de 100 m e direção das linhas de voo N-S. Nesse período, foi recoberta uma área de cerca de 3.726.364 km², o que corresponde a 43,76% do território brasileiro e aproximadamente 95% do embasamento cristalino do Brasil. De 2004 a 2014, o investimento para a aquisição desses aerolevantamentos correspondeu a US$ 188 milhões de dólares. 

Os dados aerogeofísicos e geoquímicos da CPRM, além dos mapas geológicos e outras informações relevantes, são disponibilizados no Sistema GeoSGB, acessado através do site da CPRM. Acesse aqui

e acesse as imagens geotiffs e dados XYZ dos projetos.

Confira a lista dos 95 projetos disponíveis para download: 1009, 1010, 1012, 1013, 1014, 1017, 1018, 1019, 1020, 1021, 1022, 1023, 1024, 1025, 1027, 1028, 1029, 1030, 1031, 1032, 1034, 1035, 1036, 1037, 1038, 1039, 1041, 1043, 1044, 1045, 1047, 1048, 1049, 1050, 1051, 1052, 1053, 1054, 1055, 1056, 1058, 1059, 1060, 1064, 1065, 1066, 1067, 1068, 1069, 1070, 1071, 1072, 1073, 1074, 1075, 1076, 1077, 1080, 1081, 1082, 1083, 1084, 1085, 1086, 1087, 1088, 1089, 1090, 1091, 1092, 1096, 1097, 1098, 1099, 1101, 1102, 1103, 1104, 1106, 1107, 1109, 1111, 1113, 1114, 1115, 1118, 1119, 1120, 1122, 1126, 1127, 1128, 1129, 1130, 1131. 

Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM 
asscomdf@cprm.gov.br 
(61) 2108-8400

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Aquífero Guarani: como se formou esse imenso oceano que está sob nossos pés?

Escrito por
Luiz Felipe Silva

Abaixo da superfície de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai há um oceano enorme. O nome dele já é bastante conhecido, inclusive: trata-se do Aquífero Guarani, um sistema de reservatórios de água subterrânea cuja área é maior que 1 milhão de quilômetros quadrados, e a quantidade de água equivalente a 45 mil quilômetros cúbicos.


Durante muitos anos, o Sistema Aquífero Guarani (SAG) foi considerado o maior do mundo - e ainda hoje figura entre os mais volumosos do planeta. No Brasil, ocupa as áreas dos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

O que é o Aquífero Guarani?

O vice-diretor do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas da USP Ricardo Hirata explica que um aquífero é um grande reservatório de água localizado sob a superfície dos continentes. Se forma nos poros dos sedimentos e das rochas que os compõem e corresponde a aproximadamente 97% de toda água doce e líquida do planeta - não considerando oceanos e geleiras.

“Se você observar um copo preenchido completamente com areia comum de praia, você conseguirá colocar uns 15% a 35% do volume do copo em água”, compara o professor Hirata. “Estas águas ou estão subterrâneas ou contidas dentro de um material geológico, como a areia no copo”.

A forma como a água se aloca neste reservatório subterrâneo é determinante para definir a produtividade de um aquífero. E o mais importante, neste caso, não é a água, mas a rocha. É o tipo de rocha que define a capacidade do aquífero de receber mais ou menos água e também a profundidade que os poços podem atingir.

“Um aquífero poderá fornecer água indefinidamente se as extrações forem inferiores à recarga. A produção de um poço perfurado no aquífero irá depender se a rocha é mais ou menos permeável. Assim, um bom aquífero será aquele que tem boa recarga e uma boa permeabilidade”, esclarece o professor.



Como se forma?

A formação de um aquífero se dá em pelo menos dois momentos. A primeira etapa é a criação do arcabouço geológico ou do espaço poroso resultante da sedimentação da rocha. A segunda, naturalmente, é o preenchimento desse espaço com a água.


“No caso do Sistema Aquífero Guarani, a criação do espaço poroso é muito mais antiga e relaciona-se à deposição de seus sedimentos em um ambiente desértico de grandes dunas. Ao longo do tempo, esses sedimentos, quando aflorantes na superfície, receberam água da chuva, que lentamente foram se infiltrando e percolando pela rocha, preenchendo os seus espaços vazios, os poros”, explica Ricardo Hirota.

Essa água que se infiltra e compõe o aquífero não fica parada. No subterrâneo ela também se movimenta (pode variar de metros por dia a metros por ano). Isso significa que em todos os casos de aquífero, há uma área de descarga dessa água, geralmente em rios de superfície.
Conhecido desde o século 19, descoberto em 2003

As unidades geológicas que compõem o sistema já são conhecidas pelos pesquisadores desde o fim do século 19. O professor de geologia explica que, no estado de São Paulo, o Guarani era conhecido como Aquífero Botucatu-Piramboia - que são os nomes dessas formações.

Sabia-se que havia enorme potencial no reservatório de água, mas somente a partir de 1996 que as pesquisas avançaram para entender o real tamanho do aquífero, mapear todas as unidades geológicas e conferir se estariam conectadas.

Em 2003, constataram, enfim, o que conhecemos hoje como o Aquífero Guarani. O nome foi uma homenagem às populações indígenas que viveram ao longo de sua região.
A água é potável?

A confirmação de que, de fato, havia uma conexão entre todos reservatórios subterrâneos do Uruguai ao Mato Grosso, do norte da Argentina à quase a costa de São Paulo gerou uma expectativa enorme em relação ao potencial de captação de água potável - chegou-se a dizer que seu armazenamento de água supriria o consumo mundial por até 200 anos.

“Esperava-se que o Guarani fosse tão produtivo como se observa na sua porção norte, mas o que se descobriu é que no sul ele se torna mais compartimentado em blocos, devido a falhas geológicas, e sua permeabilidade se reduz. Assim, o SAG é um grande sistema, mas infelizmente não é altamente produtivo em toda a sua extensão”, afirma o pesquisador.

Essa heterogeneidade é também nítida quanto à qualidade da água. Na grande maioria do sistema, a água apresenta baixa salinidade e é potável, embora em alguns pontos tenha problemas de contaminação por flúor. Nas porções que são território argentino e uruguaio, há áreas extensas de alta salinidade e, portanto, de água não propícia para o consumo.



O maior do mundo?

Quando foi descoberto todo o alcance do SAG, logo recebeu o título de maior aquífero do mundo. Não é bem uma verdade. “A questão do maior é difícil de definir, pois um aquífero pode ser maior em extensão, em volume etc.”, justifica o professor.

Hoje, há evidências suficientes para apontar dois aquíferos como os maiores do mundo, considerando tamanho ou quantidade de água. O Great Artesian Basin ocupa 1,7 milhão km² na Austrália e tem estimativa de 65 mil km³ de água. E o africano Nubian Sandstone, que passa por territórios de Egito, Chad, Líbia e Sudão reina como o maior de todos: 2 milhões de km² de área e, estima-se, 150 mil km³ de água.
SAGA

O maior de todos, contudo, pode também estar aqui no Brasil, e não se trata do Guarani. O aquífero cujas mais recentes estimativas indicam como o maior reservatório de água do planeta é o SAGA, Sistema Aquífero Grande Amazônia.

Anteriormente conhecido como Aquífero Alter do Chão, o reservatório ocupa uma área aproximada de 1,3 milhões de km², entre Amapá, Pará, Amazonas e Acre, e sua capacidade hídrica seria de 162.520 km³, de acordo com informações da Universidade Federal do Pará.

“Sem entrar em discussão se ele é maior que o SAG ou mesmo que o aquífero australiano ou o africano, é necessário um estudo profundo para se ter uma ideia de suas dimensões em área e volume de água armazenada e sobretudo quanto desta água é aproveitável”, analisa Ricardo Hirota. “A vantagem do SAG é que está onde mais se precisa de água, no Sudeste e Sul brasileiros [porque têm populações mais densas]”.

Haverá privatização?

Há anos correm boatos de que haveria um movimento de privatização do Aquífero Guarani. Para o professor Ricardo Hirota, especialista em águas subterrâneas, a hipótese é muito pouco provável.

“Por que comprar o aquífero? É muito mais fácil para o usuário requerer o uso para os órgãos competentes e ter a água, sem desgaste político ou problemas na imagem frente à sociedade brasileira. Mas caso uma indústria peça a outorga de uma grande quantidade de água em uma área muito grande, tentando criar uma reserva de água, tal medida seria inócua, pois primeiro tais autorizações tem tempo limitado e, caso haja disputa de uso entre o privado e o abastecimento público, por exemplo, este último teria prioridade perante a lei”, argumenta.

Para Hirota, o principal problema que o aquífero sofre é a exploração ilegal e sem fiscalização. Ele reclama que os órgãos de estado responsáveis são poucos eficientes e têm controle bastante falho, o que permite que ocorra a perfuração de muitos poços clandestinos.

Hoje, a lei que regula a exploração e explotação das águas subterrâneas é de cada estado da União, que tem soberania para administrá-las ou outorgar o uso para gerenciamento privado. Para haver possibilidade de compra, seria necessário mudar a Constituição vigente.

Fonte: Vix.